
ABORDAGEM COMUNICATIVA - Aprender um língua estrangeira e aprender a se comunicar
Prof. ELOY MELONIO
Já faz muito tempo - talvez mesmo antes de a Abordagem Comunicativa tornar-se conhecida e aplicada em cursos de idiomas que eu uso esse “conceito” na minha prática pedagógica. Na questão da língua estrangeira, sempre me preocupei mais com a comunicação do que com o conhecimento em si mesmo. E, por conhecimento, refiro-me ao conjunto de tudo que o aluno aprende, formando seu conteúdo gramatical e vocabular.
Assim, antigamente - e não duvido que ainda hoje também - além das regras gramaticais, o aluno tinha de decorar longas listas de verbos irregulares, sinônimos e antônimos, entre outras coisas. Saber inglês significava ter um vasto vocabulário e conhecer profundamente a gramática. Lembro-me de um certo professor que, por seu conhecimento, era famoso e respeitado. Mas quando conversei com ele, certo dia, percebi que sua comunicação no inglês oral não era tão elogiável, pobre de expressões idiomáticas e coloquialismo.
Nos treinamentos que ministro, sempre chamo a atenção dos professores para a questão do ato comunicativo corno fator indispensável na aula de língua estrangeira. Um professor comunicativo é capaz de dar uma aula usando apenas uma fotografia ou um desenho, sem nenhum texto escrito. Pode partir do “quase nada” para muita coisa. Com uma boa dose de criatividade, esse professor faz com que os alunos explorem ao máximo aquilo que estão vendo, expressando sua percepção ou opinião sobre o tópico em discussão. E interajam com seus colegas e com ele mesmo. Portanto, o professor comunicativo consegue desenvolver diversas atividades comunicativas. Sabe, principalmente, motivar seus alunos a se comunicarem na lingua-alvo.
Para tratar dessa questão, escrevi um artigo com o título Books closed, please, no qual mostrava ao professor a necessidade de conscientizar seus alunos a não dependerem tanto do livro-texto. Algumas vezes, ao entrar na sala de aula, peço aos alunos para não abrirem seus livros. Em seguida, crio algumas situações comunicativas para que eles se expressem de forma espontânea. Peço- lhes que falem da “noite passada” ou das “primeiras horas daquele dia”, por exemplo. Essa estratégia surgiu quando percebi que o livro, algumas vezes, é um concorrente do professor, pois alguns alunos são muito dependentes dele, incapazes de fazer algo sem consultá-lo.
A abordagem comunicativa é, portanto, um “conceito” através do qual o professor elabora e desenvolve sua aula objetivando levar o aluno a se comunicar naturalmente, criando situações de comunicação na lingua estrangeira. Não apenas nos diálogos, mas em muitas seções do livro- texto. Nessa abordagem, tudo se volta para a comunicação. Porque — segundo preceitua um de seus princípios — “aprender uma língua estrangeira é aprender a se comunicar”.
Na comunicação em lingua estrangeira, costumo levar meus alunos a pensarem na questão da “ação” e da “reação”. Na ação, quando tomam a iniciativa de falar com alguém, e na reação, quando precisam responder a alguém ou argumentar sobre algo que acabaram de ouvir. Assim, a ação ou a reação comunicativa pode constituir uma pergunta ou uma resposta, uma afirmação ou qualquer outra atitude comunicativa. E é exatamente isso o que deve acontecer na aula comunicativa de língua inglesa: pessoas se comunicando o tempo todo, perguntando, respondendo, opinando, comentando.
Nossa preocupação com a abordagem comunicativa é uma constante em nossos manuais e treinamentos. Já tivemos palestras com especialistas, workshops e treinamentos específicos sobre o assunto. Procuramos, portanto, desenvolver a habilidade comunicativa do aluno desde os primeiros níveis do curso básico. Assim, ele se comunica primeiramente com seu professor e seus colegas em sala de aula. Em seguida, estará apto para se comunicar com o mundo.
Eloy Melonio
Diretor pedagógico do YES
eloy@yesschool.com.br
